• ANGOLA DESAFIA ÁFRICA A SUPERAR FRAGMENTAÇÃO E A CONSTRUIR UM MERCADO AÉREO VERDADEIRAMENTE INTEGRADO


    75.ª Conferência da ACI África, que se realiza em Luanda ate 3 de Abril, transformou-se hoje num palco de afirmação política e estratégica sobre o futuro da aviação no continente, com Angola a exigir acções concretas para ultrapassar o desequilíbrio estrutural que limita o potencial africano de mobilidade, integração e desenvolvimento económico.

    O evento foi oficialmente inaugurado pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, em representação do Executivo angolano, reforçando o compromisso político de Angola com a modernização e integração do sector da aviação. “Angola esta a consolidar um trajecto de estabilidade macroeconómica e diversificação produtiva, no qual a aviação civil assume um papel estruturante enquanto motor de integração económica, competitividade e ligação efectiva entre mercados africanos e internacionais”, sublinhou José de Lima Massano.

    No discurso de abertura, proferido perante representantes governamentais, líderes aeroportuários e investidores, o Ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas D’Abreu, sublinhou que África representa cerca de 18% da populaça o mundial, mas menos de 3% do tráfego aéreo global, um indicador que, na sua perspectiva, revela na o apenas um défice de conectividade, mas uma falha política continental que exige resposta colectiva.

    Na sua intervenção, o Ministro dos Transportes afirmou que “sem integração, não há escala; sem escala, não há competitividade; e sem competitividade, não haverá crescimento sustentável da aviação africana.” Esta mensagem foi lançada como um desafio directo aos Estados, aos reguladores e aos actores do sector para que abandonem abordagens fragmentadas e se comprometam com a implementação efectiva do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo.

    Ricardo Viegas D’Abreu reforçou que a aviação civil e um instrumento de desenvolvimento económico, geração de emprego qualificado e promoção da circulação de pessoas e bens no continente. Para isso, afirmou, e necessário mobilizar financiamento estruturado, promover a sustentabilidade dos aeroportos e aprofundar parcerias que garantam a uniformização de práticas e padrões internacionais.

    O Ministro sublinhou também o papel de Angola como actor empenhado na redefinição da conectividade regional, destacando investimentos estruturantes em infra-estruturas aeroportuárias e corredores logísticos que reforçam a posição do país como hub estratégico entre África, Europa, Médio Oriente e Américas.

    A realização da conferência em Luanda, considerada um dos mais relevantes fóruns do sector aeroportuário africano, assume um significado político acrescido num momento em que a aviação é colocada no centro da agenda de desenvolvimento económico e integração continental.

    O discurso do Ministro dos Transportes consolidou Luanda como palco de uma reflexão estratégica que pretende traduzir-se em compromissos e acções concretas em favor de uma aviação africana mais integrada, competitiva e sustentável.

    A realização da 75.ª Conferência da ACI África em Luanda sublinha igualmente o papel central da associação como voz unificada dos aeroportos africanos, cuja missão é representar e promover os interesses colectivos dos seus membros, impulsionar a excelência profissional na gestão aeroportuária e facilitar a adopção de soluções que reforcem a conectividade, a sustentabilidade e a competitividade dos aeroportos no continente.

    A conferência reúne representantes de 37 países e mais de 80 empresas do sector, reflectindo a amplitude e diversidade do ecossistema aeroportuário africano e a confiança dos actores internacionais na plataforma que a ACI África proporciona para networking, capacitação e cooperação estratégica.

    A escolha de Angola para acolher este encontro continental traduz o reconhecimento do papel crescente do país no panorama da aviação africana e constitui um pedido explícito de reforço das relações institucionais entre o Governo angolano e a ACI África, em benefício de uma aviação mais integrada, eficiente e resiliente em toda África.

    Ministério dos Transportes. Luanda, 31 de março de 2026.