• ANGOLA INCENTIVA CONSÓRCIO DE EMPRESAS PARA EXPLORAREM OPORTUNIDADES NO SECTOR DOS TRANSPORTES E INFRAESTRUTURAS


    O Governo de Angola procura, para o Sector dos Transportes e Infraestruturas, assegurar que se consiga encontrar consórcio de empresas que se juntem para explorar as várias oportunidades existentes.

    "O primeiro passo é assegurar que se consiga encontrar consórcios de empresas que se juntem a nós para podermos explorar, de forma eficiente, o que existe”, disse o Ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu em encontros com empresários turcos, na Turquia. "Existe um modelo económico que se deve preparar, uma autorização que tem de ser atribuída ao Ministério dos Transportes para poder negociar concessões. Nestes casos, não são as empresas do sector que têm a competência de negociar estas modalidades”, esclareceu.

    Esta foi uma das notas partilhadas pelo ministro em encontros em separado com empresários turcos, na visita que efectua, esta semana, à Turquia. O Ministro teve encontros de negócios com a Holding Tosyali, o DEME Group, de origem belga, a Associação de Empreiteiros da Turquia e a Autoridade Turca dos Caminhos de Ferro. Com a Tosyali, cuja subsidiária angolana TISA (Tosyali Iron & Steel Angola S.A) detém os direitos de exploração da mina de Cassinga, as conversações centraram no interesse desta em investir no Porto Saco-Mar, com base num memorando alcançado com os Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

    De realçar que o Porto do Saco-Mar, de calado mediano e especializado em embarque de minérios, está localizado na província de Namibe, pertencente à cidade de Moçâmedes.

    "Nossa intenção é apostar cada vez mais em Angola e vencer constrangimentos como transportes e infraestruturas. No âmbito dos transportes, procuramos, por exemplo, interessar a Turkish Airlines a estabelecer rotas directas com Angola”, informou Fuat Tosyali, Presidente da holding TOZYALI. Embora não exista definição quanto aos direitos sobre Saco-Mar, o Ministro dos Transportes entende que existem interesses convergentes. "Dentro da complementaridade dos sectores, podemos criar valor e soluções de sustentabilidade. Hoje temos alguma capacidade nos Caminhos de Ferro de Benguela, com locomotivas novas, vagões e infraestrutura operacional, mas, no final do dia, não temos negócio”, indicou.

    "A nível do Porto estamos neste momento a preparar o lançamento da primeira pedra do Projecto Integrado de Desenvolvimento da Baia de Moçâmedes que visa a expansão do terminal geral de carga e contentores, por um lado, e a reabilitação do terminal do Saco-Mar, por outro. O projecto é financiado pelo Banco do Desenvolvimento do Japão”, acrescentou.

    "De facto a nossa intenção, e nessa perspectiva da complementaridade de negócios, estamos neste momento a preparar o concurso para a concessão do Caminho de Ferro de Benguela, portanto, o corredor do Lobito. Esse concurso, por que a nossa lei obriga que tem de haver um regime concursal, deverá ser lançado no final do mês de Julho, com base na experiência que estamos a ter com o Caminho de Ferro de Benguela. Vamos fazer o mesmo com o Caminho de Ferro de Moçâmedes. Isso implicaria replicar o seu modelo a Moçâmedes (gestão, manutenção das infraestruturas, exploração e transporte de carga), criando uma entidade específica onde estariam os parceiros a nível das competências logísticas, formação e investimento. É que procurámos, no Caminho de Ferro de Benguela, não só assegurar a sua capacidade e potenciação, mas desenvolver o potencial daquela região sul de Angola”, precisou.

    Angola quer expandir o modelo de parceria público-privada pela via da gestão, exploração mais eficiente e lucrativa de linhas ferroviárias. "Temos obrigação, no âmbito da SADC, de ligar Angola a Namíbia, assim como temos a possibilidade de estender o corredor à Zâmbia. Isto é o futuro”, informou.