O Corredor do Lobito deixou há muito de ser apenas um projecto de infraestrutura ferroviária e portuária. Hoje, é uma prioridade estratégica do Estado angolano e um dos eixos mais ambiciosos de integração regional em África. Foi com essa convicção que o Ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, desafiou o sistema das Nações Unidas, durante um retiro da equipa da ONU em Angola, a dar um salto decisivo: deixar de "estar presente" para se tornar verdadeiramente "essencial" no desenvolvimento deste corredor que liga Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia aos mercados internacionais.
O governante foi claro ao afirmar que o sucesso do Corredor do Lobito não pode ser medido apenas por indicadores financeiros ou pela reabilitação de caminhos de ferro e portos – como o Caminho de Ferro de Bengala e o Porto do Lobito, cujos avanços estão já em curso. O verdadeiro critério, sublinhou, será o impacto directo nas comunidades, a criação de emprego digno, a expansão dos serviços de educação e saúde, a protecção ambiental e a integração das micro, pequenas e médias empresas nas cadeias de valor do corredor. Com investimentos projectados entre 6 e 26 mil milhões de dólares, e com o envolvimento de parceiros como a União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Países Baixos, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento, o corredor tem todos os ingredientes para ser um motor de desenvolvimento humano – desde que haja coordenação e ambição.
Foi precisamente para garantir essa ambição que o Ministro propôs a criação da Aliança Estratégica de Impacto das Comunidades do Corredor do Lobito (AEICCL), um mecanismo desenhado para alinhar Governo, parceiros internacionais, sector privado e agências da ONU numa abordagem coordenada, orientada para resultados e com foco nas pessoas. A ideia é que os benefícios económicos do corredor se traduzam efectivamente em melhores condições de vida para as populações locais.
Por seu turno, Amanda Khozi Mukwashi, Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas em Angola, reconheceu o desafio e afirmou que a equipa da ONU está concentrada em identificar as suas vantagens comparativas, definir pontos de entrada claros e estruturar um pacote de investimento alinhado com as prioridades nacionais e a dimensão regional do projecto. O corredor, recordou o Ministro, aspira a ser um verdadeiro eixo atlântico de conectividade regional, com a ambição de ligação transcontinental entre o Atlântico e o Índico.
A mensagem final do titular dos Transportes foi inequívoca: "Angola fez, está a fazer e continuará a fazer a sua parte. O Corredor do Lobito deve ser uma estrada de prosperidade partilhada." Resta agora saber se a ONU aceita o convite para passar da mesa das intenções para o centro da acção – porque o desafio, como bem disse o Ministro, é claro: não basta estar à mesa, é preciso ser essencial.