A Primeira Mesa Redonda Ministerial do Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito – Engine Room encerrou hoje (05.02.2026) em Luanda com um apelo claro a aceleração da execução, a disciplina operacional e a obtenção de resultados mensuráveis, sublinhando a transição definitiva do projecto para uma fase em que a credibilidade se mede pela entrega no terreno.
O encontro de alto nível contou com a presença do Senhor Presidente da Republica de Angola, Joao Manuel Gonçalves Lourenço, que presidiu a sessão solene de abertura, bem como com a participação de altos responsáveis ministeriais dos Governos de Angola, da Republica Democrática do Congo e da Zâmbia, da alta direcção do Grupo Banco Mundial, de parceiros multilaterais e bilaterais de desenvolvimento e de representantes do sector privado.
No encerramento dos trabalhos, o Ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas D’Abreu, destacou que o Corredor do Lobito se afirma hoje como um activo estratégico regional, essencial para a integração económica da África Austral, para a competitividade logística e para a ligação eficiente dos recursos da região aos mercados globais. “O Corredor do Lobito entrou definitivamente numa fase em que a credibilidade se mede pela execução. O alinhamento político, a convergência estratégica e o compromisso financeiro estão assegurados; o desafio central e transformar esta convergência em desempenho operacional”, afirmou.
O governante sublinhou que um corredor competitivo não se constrói apenas com investimento em infra-estruturas físicas, mas como um sistema integrado, no qual caminhos-de-ferro, portos, fronteiras, energia, operadores logísticos, alfândegas e reguladores funcionam como uma única cadeia. Qualquer fragmentação, advertiu, traduz-se em atrasos, custos acrescidos e perda de confiança.
Neste contexto, a Engine Room foi reafirmada como um mecanismo pragmático e orientado para resultados, concebido para resolver constrangimentos concretos, alinhar calendários, harmonizar decisões e garantir que projectos, reformas e financiamentos se reforçam mutuamente. Um instrumento de entrega, e não uma nova estrutura burocrática.
O Ministro dos Transportes destacou igualmente o papel da Agência de Facilitação do Transporte e Trânsito do Corredor do Lobito, criada pelos três países, defendendo que esta deve ganhar maior velocidade, produtividade e presença activa na coordenação diária dos processos operacionais, com impacto directo na facilitação do transporte de mercadorias em trânsito, e que deve funcionar como o pivot de facilitação e coordenação de acções ao longo do corredor, apoiada pelos parceiros internacionais para ganhar robustez e efectiva capacidade institucional.
A interoperabilidade de dados, a partilha efectiva de informação alfandegária, a previsibilidade dos procedimentos e a digitalização dos processos foram apontadas como factores críticos de competitividade, tão determinantes quanto os carris e os portos. “Um corredor que na o comunica em tempo real na o e competitivo”, salientou.
Angola reafirmou o seu papel enquanto plataforma atlântica do Corredor do Lobito, destacando contributos concretos como o Porto do Lobito, a infra-estrutura ferroviária concessionada do Caminho de Ferro de Benguela, os investimentos logísticos associados e as soluções imediatas para a implantação de portos secos destinados a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
Foi igualmente sublinhado o potencial do corredor para evoluir para um verdadeiro sistema económico regional, tendo o sector mineiro como âncora, mas criando valor muito para além da extracção, nomeadamente na logística, energia, transformação industrial, agronegócio e serviços, com impacto directo na criação de emprego sustentável e de rendimentos ao longo de todo o eixo.
Dirigindo-se aos parceiros regionais e de desenvolvimento, o Ministro dos Transportes reforçou que o sucesso do Corredor do Lobito será necessariamente colectivo e assente numa coordenação tripartida efectiva, em políticas alinhadas, reformas executadas e resultados mensuráveis, assumindo estas exigências como factores de disciplina, credibilidade e atracção de investimento.
A Mesa Redonda Ministerial encerrou com um mandato claro para a Engine Room:
acelerar a execução, monitorizar resultados, resolver bloqueios e garantir transparência,
assegurando que a vantagem geográfica do Corredor do Lobito se transforma numa
vantagem operacional, económica e social, com benefícios tangíveis para as populações
da região
Ministério dos Transportes. Luanda, 05 de fevereiro de 2026